Com uma atuação sensacional no segundo tempo, o Grêmio derrotou o Internacional por 2 a 0, na tarde deste domingo, no Beira-Rio, e botou a mão na taça. Foi o primeiro dos dois clássicos da decisão do Gauchão. No próximo domingo, no Olímpico, o Tricolor poderá até perder, desde que por um gol de diferença, que mesmo assim será o campeão – recuperando um caneco que não vê desde 2007. Vitória colorada por 2 a 0 levará à decisão por pênaltis.
Foi na garra, no maior volume de jogo, no desassombro. No primeiro tempo, o Inter ainda conseguiu conter o ímpeto do time de Silas, na base do toque de bola. Mas, no segundo, com um meio-campo mais movediço e ousado, o Grêmio chegou aos 2 a 0 – com gols de Rodrigo e Borges em cabeceios de bola parada –, isso depois de arrematar três bolas na trave.
Os dois times entraram com o plano de explorar a inexperiência dos laterais-esquerdos, ambos estreantes – o colorado Juan, 18 anos, e o tricolor Neuton, 20. Mas o Grêmio começou melhor, com personalidade, marcando mais à frente e saindo em segura troca de passes. E atento a uma característica do adversário, a feitura da linha de impedimento.
Aos 16 minutos, por exemplo, Borges foi lançado às costas de Bolívar, pela meia-esquerda. Mas, ao ficar livre, errou o cálculo do chute, colocando além do poste esquerdo.
O Inter reagiu a partir de um lance isolado, aos 18: ao receber de D’Alessandro pela meia-esquerda, Walter deu o corpo a Mário Fernandes e ficou livre. A seguir, soltou um balaço, que Victor espalmou para escanteio. Na cobrança, Rodrigo tirou mal, Walter matou no peito e chutou, mas Edilson salvou em cima da linha.
Focado nos cinco minutos entre os 15 e os 20, o Gre-Nal foi um estremecimento. Pois aos 20 mais um gol foi desperdiçado. Jonas escapou pela meia-direita (outra linha de impedimento ludibriada) e poderia ter chutado cruzado, de pé direito. Mas esperou para dar o drible e chutou fraco de pé esquerdo. Abbondanzieri pôde fazer a defesa em dois tempos com tranqüilidade.
A partir daí só deu Inter nessa etapa. Sandro colou em Borges, o gremista Leandro encolheu-se, D’Alessandro e Andrezinho ficaram trocando de lado e iludiram a marcação do meio-campo. Mas não a da linha de zagueiros, que esteve firme. Até os 45, o Inter só levou perigo numa cobrança de falta: D’Alessandro atrasou para Sandro, e o volante mandou uma bomba, que beijou o alto do travessão e saiu.
O Grêmio voltou com Adilson no lugar de Ferdinando e melhorou a saída de bola. E, como no primeiro tempo, começou em cima do Inter. A diferença é que seu domínio perdurou – e deu fruto.
Aos 5, Leandro arrematou mal em grande jogada de Neuton. Aos 9, Jonas cortou Nei duas vezes e concluiu no poste direito. Era um rolo compressor. D’Alessandro e Andrezinho pegavam a bola e eram desarmados, e o Tricolor ia para cima em massa. Aos 18, em cobrança de falta de Edilson, a bola bateu no poste, na cara de Willian Magrão e saiu. Aos 23, finalmente, saiu o gol. Jonas armou um salseiro pela direita, cavou escanteio e Edilson bateu em curva. Rodrigo saltou mais do que Alecsandro e cabeceou forte, estufando a rede. Grêmio 1 a 0.
Antes do gol do Tricolor, Walter exigira duas defesas difíceis de Victor. Mas foram lances isolados. O Inter só foi ganhar volume quando se viu em desantagem. Mas, à exceção de um cabeceio de Bolívar que raspou o poste esquerdo, aos 26, pouco perigo levou.
O Grêmio, por seu lado, continuou a levar perigo em contragolpes de Jonas. Botou a terceira bola no lado de fora da trave aos 36, através de Willian Magrão, aparando bola de escanteio.
Mas, aos 42, a quarta bola bateu no lado de dentro do travessão – e entrou. Foi em cobrança de falta de Rochemback, pela direita. Borges entrou livre pela esquerda e cabeceou no travessão; a bola quicou e foi para a rede. Grande vitória do Tricolor, que cumpriu sua melhor partida do ano justamente na hora decisiva..

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