
Produto de exportação da Bahia, a capoeira prolifera-se no centro histórico da capital. No Mercado Modelo não é diferente. Sob as ordens do Mestre Macumba, os capoeiristas fazem exibições enquanto o chapéu passa à espera das gratificações dos turistas. E ai daqueles estrangeiros que não derem.
- Se o gringo começa a fotografar e não dá dinheiro a gente para de jogar. Aqui é assim. Temos que sobreviver. Protejo meus meninos. Estou há 39 anos no mesmo lugar e só saio daqui quando morrer. Quando morrer! – gritou o mestre, sem interromper por um segundo o toque afinado do berimbau.
Ele torce pelo sucesso de Dunga. Diz que o treinador tem a força necessária para levar o Brasil ao título da Copa do Mundo da África do Sul no ano que vem. Nem sempre foi assim. Há 18 jogos invicto - mais de um ano sem perder - e com uma coleção de dez vitórias consecutivas, ele conduziu a seleção à classificação mais folgada nas três participações no sistema de eliminatórias por pontos corridos. A seleção está na primeira posição, com 30 pontos.
A tranquilidade não ilude Dunga. O treinador segue com o discurso áspero e de “ame-o ou deixe-o”. E lembra dos detratores nestes pouco mais de três anos à frente da seleção.
- Quem bate, esquece. Detesto quem antes falava e agora vem dar tapinha nas costas – disse o treinador, em entrevista ao Globo Esporte (assista ao lado).
O discurso radical foi compreendido pelos jogadores. O estilo Dunga pegou. Nos meses que precedem o Mundial pouca coisa deve mudar na lista dos 22 escolhidos pelo treinador. Ele dá valor à lealdade. Seu discurso lembra o de Mestre Macumba ao defender "seus meninos":
- Vou com os meus até o fim. Vou protegê-los em qualquer momento – disse o capitão do tetra.
Na partida desta quarta, ele não poderá contar com cinco jogadores que participaram da vitória por 3 a 1 sobre a Argentina. Lúcio, Ramires, Kaká e Luis Fabiano estão suspensos, e Robinho foi liberado por causa de uma lesão na coxa.
Para compensar as ausências, o treinador convocou às pressas um quarteto nacional: André Dias, Cleiton Xavier, Diego Souza e Diego Tardelli. A principal esperança de gol também joga no Brasil. Depois de um tempo afastado da seleção, Adriano retornou e vê a partida contra o Chile como oportunidade ideal para fincar a bandeira nos 22 que irão à Copa.
- Ainda preciso provar que posso estar no grupo – afirmou o atacante do Flamengo.
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